Ceni orienta o time do Flamengo durante o jogo contra o La Calera pela Copa Libertadores de 2021 (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Pouco mais de seis meses de trabalho no Flamengo e quatro títulos conquistados. Mas, mesmo assim, Rogério Ceni não goza de tanto prestígio com a torcida rubro-negra, que, nas redes sociais, puxa campanha pedindo a saída do treinador antes do início do Brasileirão, neste final de semana. Se o sentimento entre os flamenguistas é de rejeição ao comandante, o mesmo não pode se dizer na diretoria do clube. Muito pelo contrário: apoio e respaldo.

O trabalho de Rogério Ceni é avaliado diariamente e o ‘feedback’ é passado ao treinador com muita frequência. Na última conversa que o Departamento de Futebol teve com o comandante, o que foi dito ao técnico é que ele segue tendo todo o respaldo da diretoria e que todos da cúpula confiam em seu trabalho.

O que dá embasamento à cúpula de futebol são os títulos conquistados desde a chegada de Rogério Ceni (Brasileirão 2020, Taça Guanabara 2021, Supercopa do Brasil 2021 e Campeonato Carioca 2021), além de se classificar em primeiro no Grupo G às oitavas de final da Libertadores 2021.

As eliminações na Libertadores 2020 e na Copa do Brasil 2020 foram colocadas em pauta, mas o entendimento nos bastidores é que Rogério Ceni havia acabado de chegar ao clube e estava em período de transição. Com isso, na hora que a diretoria decidiu por demitir Domènec Torrent e contratar o novo comandante, o risco de queda nas duas competições foram assumidas pela diretoria.

Respaldo em números:

O Conselho de Futebol do Flamengo se reúne semanalmente para debater e avaliar o trabalho do treinador. Para banca-lo no cargo neste início de Campeonato Brasileiro, mesmo com torcedores pedindo a saída dele, o Departamento se baseia em números que vão além do desempenho com títulos.

Antes de Rogério Ceni, os atletas corriam, juntos, por jogo, cerca de 110 km, em média. Com o atual treinador são 90 km, média semelhante à época de Jorge Jesus. O elenco, portanto, têm corrido menos em distância total e mais em distância de alta intensidade. Isso mostra que o time está organizado taticamente, “correndo certo”. Corre menos e fica mais com a bola no pé, tendo média de 60% de posse de bola.

Além disso, são 50 gols marcados na temporada, em 22 jogos. Desses, 42 foram de dentro da área (84%). Esse desempenho mostra que o Flamengo chega bastante na frente, com intensidade e letalidade. Outra estatística é que o Rubro-Negro marcou dois ou mais gols em 16 dos 22 jogos na temporada (72,7%).

Rogério Ceni também nunca perdeu como treinador na Libertadores (oito jogos), e, neste momento, totaliza 12 partidas de invencibilidade, o que dá ainda mais respaldo ao técnico.

Missão dada é missão cumprida:

A diretoria do Flamengo, para bancar Rogério Ceni e dar respaldo à continuidade do treinador no clube, se apega ao trabalho do dia a dia, às conversas, aos planejamentos da comissão técnica e, por fim, aos resultados alcançados até o momento.

Um exemplo que ilustra bem o planejamento da comissão técnica, com o aval da diretoria, foi poupar os principais jogadores do início do Campeonato Carioca. Na ocasião, torcedores não gostaram da postura do treinador e reclamaram da decisão, que servia para preparar melhor a equipe principal para os principais objetivos que estavam por vir, dentre eles a decisão contra o Palmeiras e a fase de grupos da Libertadores.

O mesmo aconteceu recentemente, com o aval do Departamento de Futebol e do presidente Rodolfo Landim, quando a maioria dos titulares foi poupado do jogo contra a LDU, pela Libertadores, visando ao duelo com o Fluminense no final de semana seguinte que valia o título do Carioca e, consequentemente, o hexa-tri na história do Rubro-Negro.

As decisões tomadas deram certo e Rogério Ceni não comemorou apenas o título do Estadual, mas também celebrou o sucesso no planejamento traçado para conseguir os êxitos no primeiro semestre de 2021. Agora, o Flamengo encara o Palmeiras, domingo, na estreia do Brasileirão e terá dez dias, que servirão como inter-temporada, para encarar o Coritiba pela Copa do Brasil.

Retirado de: O Dia

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