O jogo entre Flamengo e Palmeiras pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro teve ao todo 46 faltas, número muito acima da média de 33 faltas que teve a competição em 2020 e de outros torneios de futebol pelo mundo. No podcast Posse de Bola #130, Mauro Cezar Pereira critica a quantidade de faltas marcadas por Anderson Daronco, o árbitro da partida, além da forma como comentaristas de arbitragem participam demais nas transmissões e muitas vezes não dão ênfase aos erros.

Mauro afirma que Daronco protegeu a arbitragem com a alta quantidade de faltas marcadas, ao mesmo tempo em que o futebol foi prejudicado com as paralisações do jogo, lembrando também que houve um pênalti não assinalado por uma falta que considera inexistente na jogada.

“Daronco marcou 46 faltas, a média da rodada da primeira rodada foi de 31 faltas. O Daronco ontem sacrificou o futebol, o esporte, a nossa modalidade, para proteger a arbitragem, ele fez isso claramente. Um árbitro que faz isso tem que ser chamado a atenção, mesmo que ele seja fortão e tatuado. Tem que chamar e tem que conversar, o [chefe de arbitragem da CBF, Leonardo] Gaciba tem a obrigação de falar ‘vem cá, que diabos você fez nesse jogo? O jogo mais esperado, você sacrificou o futebol para se defender, foi isso?’. Cara, isso tem que existir, não é possível”, diz Mauro Cezar.

“Tem me incomodado bastante o papel do comentarista de arbitragem na televisão, praticamente todos, salvo uma exceção ou outra. Eles têm uma função que pode ser importante, especialmente se falarem pouco, entrarem em momentos pontuais para tirar uma dúvida técnica, da recomendação que é dada aos árbitros. Ficar falando que foi lateral, que o gol foi legal, gol legal era o Mário Viana lá na Rádio Globo no Rio nos anos 1970 e 1980. Não precisa chamar, deixa o comentarista, o outro comentarista se tiver um segundo, o narrador principalmente para comandarem o jogo”, completa.

Mauro Cezar afirma que há um excesso nas participações dos ex-árbitros durante as transmissões de futebol na TV, além de reclamar de certo constrangimento que alguns dos comentaristas de arbitragem passam quando apontam algum erro cometido durante uma partida.

“Na transmissão da Globo ontem (30), o Sandro Ricci, quando o Daronco absurdamente dá uma falta que não houve e não dá um pênalti no Bruno Henrique, ele quase constrangido admite ‘não houve a falta, houve o pênalti’. Fale com vontade, tenha coragem de criticar o árbitro. ‘Errou’. Não sejam medrosos, o Anderson Daronco errou, não houve falta, houve pênalti, ele tinha que ter marcado o pênalti e marcou uma falta, seja categórico”, diz Mauro.

“Fui lá ver, Renata Ruel na ESPN, ‘o Daronco errou, não houve falta e houve pênalti, mas o critério dele de marcar muitas faltas’. Que critério? O critério é errar? Não menosprezem a nossa inteligência. E esses caras que comentam arbitragem são colocados como as autoridades máximas do assunto, eles conhecem tecnicamente mais que nós, geralmente sim, porque vivem a arbitragem, estão sempre atentos e têm que fazer o trabalho deles, são pagos para isso, mas eles são um apoio e nós todos, imprensa, torcedor, jogador, dirigente, técnico, todos que estamos no entorno do futebol temos as nossas opiniões, se foi falta, se não foi e temos direito à opinião e temos que emiti-las”, completa.

No caso da atuação de Daronco, Mauro Cezar destaca ainda que o jogo entre Flamengo e Palmeiras não foi brigado, com jogadas ríspidas e brigas ou com discussões entre jogadores dentro de campo para levar o árbitro a parar tantas vezes marcando faltas.

“Esses caras da arbitragem, que comentam, eles estão prejudicando o futebol também. E quando o Daronco sacrifica o futebol em nome da sua própria arbitragem, como ele fez nesse domingo, e os comentaristas de arbitragem não o criticam como deveriam, protegendo o futebol e não protegendo a arbitragem, eles também prejudicam o futebol, são nocivos ao futebol quando agem dessa maneira. Salvo o Sálvio Spínola e um ou outro aí que se salva”, diz Mauro.

“Eles sacaneiam o futebol, o futebol foi avacalhado ontem pela arbitragem, 46 faltas e o jogo nem foi um jogo brigado, não foi um jogo violento, os jogadores não ficaram se estranhando”, conclui.

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