O Campeonato Brasileiro iniciado no último fim de semana é o terceiro com o uso do VAR para a revisão de decisões da arbitragem e terá algumas mudanças, como a criação de uma central próxima à sede da CBF, no Rio de Janeiro, e não mais com as cabines dentro dos estádios. Presidente da comissão de arbitragem, o ex-árbitro gaúcho Leonardo Gaciba é o entrevistado por Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do UOL — gravado no dia 27 de maio —, e explica as mudanças, além de analisar a arbitragem brasileira e negar que ceda à pressão de clubes para a troca de árbitros.

Na lembrança por Mauro Cezar sobre o reconhecimento de um erro do VAR na última edição do Brasileirão, no jogo entre Atlético-MG e São Paulo, que motivou a ida de dirigentes do clube paulista à sede da CBF para questionar a arbitragem e pedir a troca de um árbitro em escala, Gaciba explica que recebe dirigentes para dar explicações nas afirma que não houve nenhuma troca motivada por pedido de clube.

“Em primeiro lugar, é bom deixar bem claro, ninguém trocou árbitro a pedido de clube aqui, isso não se faz aqui. Nós temos total autonomia e não adianta o clube ficar fazendo qualquer tipo de de pedido, que a gente não troca a pedido do clube, o clube inclusive pediu para trocar o árbitro central do jogo e o árbitro foi mantido claramente. Nós trocamos porque percebemos que por um equívoco nosso de escala o árbitro de vídeo tinha sido o árbitro central da partida anterior e posteriormente ele tinha sido o árbitro de vídeo, ele seria o árbitro de vídeo da partida posterior”, afirma Gaciba.

“A grande prova de que não existe veto é que esse mesmo árbitro apitou na última rodada um jogo entre Flamengo e São Paulo, um jogo decisivo da competição, o árbitro teve uma atuação excepcional e o jogo terminou a contento, com nenhum tipo de de reclamação das equipes envolvidas, isso mostra que trocas aqui não são feitas. A partir do momento em que eu abrir mão dessa liberdade, essa autoridade que nós temos dentro da comissão, aí sim nós teríamos grandes problemas mesmo”, completa.

O responsável pela arbitragem do futebol brasileiro afirma que os próprios clubes ouviram a mesma resposta dele quando recebidos na sede da CBF e diz que é comum a visita de dirigentes sempre que há algum questionamento relacionado à arbitragem de jogos e que todos os clubes fazem algum tipo de pressão.

“Todos fazem esse tipo, aliás, sofrem a pressão quando estão perdendo e passam essa pressão um pouco mais além, isso é normal e natural do ser humano, mas eu acho que o mais interessante desse processo todo não é a gente ficar olhando os clubes que vão à CBF, eu acho que o mais interessante disso tudo é assim, pode perguntar para todos os clubes do Brasil, Série A, B, C, D, feminino, campeonatos de base, todos eles foram recebidos pela comissão de arbitragem da CBF, todos eles tiveram a mesma atenção, explicamos todas as jogadas. Te garanto que em 90% das situações a arbitragem teve a decisão acertada”, diz Gaciba.

Segundo o chefe da comissão de arbitragem, é comum que os dirigentes terminem as reuniões conformados com a explicação dada, ainda que não externem isso.

“Muito mais da metade das reclamações, o próprio clube sai daqui de dentro sabendo que a decisão da arbitragem foi correta e até externa isso. ‘Olha, eu não posso dizer lá que eu me convenci que vocês não erraram, então eu vou dizer que nós tivemos um papo, que foi muito interessante e pronto’. Eu digo, ‘fique à vontade’. O meu serviço não é o externo, o meu serviço, o meu trabalho da Confederação Brasileira de Futebol é prestar o melhor serviço possível para todos os clubes envolvidos na competição”, afirma Gaciba.

“Eu acho que isso todos os dirigentes podem falar para ti, a comissão de arbitragem procura dar as melhores condições de trabalho para o árbitro brasileiro e atender da melhor forma possível sem nunca abrir mão da sua autonomia a todos os clubes envolvidos na competição”, conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

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