O Flamengo sobrou no primeiro tempo no Couto Pereira. Empurrando o Coritiba para o campo de defesa e desmontando a estratégia do treinador Gustavo Morínigo, que armou seu time para duelar com os rubro-negros pela posse de bola. Mas sofreu com a lentidão de Rafinha, Robinho e Léo Gamalho na frente.

O time de Rogério Ceni, afastado por Covid-19 e substituído à beira do campo por Maurício Souza, adiantou a marcação e liberou Filipe Luís pela esquerda, já que Gamalho ficava sozinho contra Willian Arão e Gustavo Henrique. O time rodava a bola, abria pelo lado e cruzava para Rodrigo Muniz.

O substituto de Pedro, voltando da seleção olímpica, e Gabigol, que não se apresentou para o jogo, não contribuía tanto tecnicamente no trabalho de pivô, mas compensava com presença física na área adversária. Até Vitinho cobrar escanteio e o jovem centroavante colocar nas redes de cabeça.

Poderia ter marcado outro, se a arbitragem, sem auxílio de VAR nesta terceira fase da Copa do Brasil, não marcasse um absurdo impedimento de Bruno Henrique, que serviu o companheiro de ataque. Dois gols seriam uma vantagem mais condizente para um primeiro tempo de 71% de posse, 92% de efetividade nos passes, oito finalizações (cinco no alvo) e 11 desarmes, cinco no campo de ataque.

Na segunda etapa, um claro cuidado para dosar energias. Também maiores cuidados defensivos, sem se expor tanto e garantir a terceira partida consecutiva sem sofrer gols. O Coritiba ficou mais intenso e rápido nas transições com Taison, Dalberto e Waguininho no ataque. Subiu a posse de 29% para 34% e finalizou cinco vezes, duas na direção da meta de Diego Alves.

O Fla só mais quatro, duas no alvo. Maurício colocou em campo reservas com mais rodagem: Rodinei, em sua reestreia, Hugo Moura e Michael. Ainda havia Bruno Viana, Léo Pereira e Renê, mas não havia razões para mexer no trio da saída de bola de trás – com Tailson pela direita, Filipe Luís voltou a recuar e guardar posição.

Rotação mais baixa para administrar. Muito provavelmente pela consciência de que junho será um mês de elenco mutilado por convocações, com cerca de 15 jogadores rodando o tempo todo. Como não era possível forçar para impedir o jogo da volta, o time empurrou com a barriga.

Mas há boas notícias nesta volta depois de 10 dias sem jogar. Além de não sofrer gols, o Flamengo mostrou que, mesmo desfalcada, a equipe está ajustada. Com modelo de jogo assimilado e bem executado. É claro que Ceni tem problemas em escolhas, substituições e leitura de jogo para fazer mudanças, virtudes que são conquistadas com o tempo.

Mas a evolução coletiva é nítida. E será um trunfo para um mês complicado, que pode comprometer a temporada se mal administrado. Por isso começar vencendo foi fundamental.

(Estatísticas: SofaScore)

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