Se a Liga de Clubes sair do papel, ela vai organizar as duas primeiras divisões do futebol brasileiro, hoje denominadas de Séries A e B. A Copa do Brasil, por exemplo, continuará sob o guarda-chuva da CBF, assim como séries inferiores, como as atuais C (terceira) e D (quarta) (e até, quem sabe, uma E dependendo de novos formatos de competições que vão surgir com uma readequação obrigatória no calendário).

Esse modelo, entretanto, deixa desconfiados clubes de menor porte que costumam subir e descer entre as divisões de acesso. Na reunião de segunda-feira (28) em São Paulo, que reuniu os 40 participantes (36 presencialmente e quatro online) das Séries A e B em 2021 e representantes de empresas interessadas em operacionalizar a Liga, foi colocada em pauta a preocupação com o inevitável aumento de diferenças econômica e técnica da elite, gerenciada por uma liga bilionária, para as Séries C e D que continuariam recebendo poucos milhares de reais da CBF para bancar passagem e hospedagem.

A avaliação de alguns clubes é a de que quem subir da “divisão CBF” para a B da Liga vai sofrer até mais do que atualmente pela maior diferença de investimento que encontraria nos rivais, e não só financeiro, já que a Liga terá padronização em departamentos de futebol, estádio, tecnologia, etc.

As empresas interessadas em operar a Liga ficaram de incluir plano de ajuda às divisões inferiores, com foco não em repasse direto de dinheiro, mas auxílio em infraestrutura, tecnologia, treinamento de profissionais, etc. — aí teria que existir uma parceria com a CBF. Por enquanto a confederação brasileira, que vive uma crise política com seu presidente, Rogério Caboclo, afastado temporariamente acusado por funcionários de assédio sexual e moral, está fora das negociações para a criação da Liga.

Na segunda, como mostrou o jornalista Danilo Lavieri, houve apresentações de grupos como a KPMG, a McKinsey e da LiveMode, que deram ideias sobre processos de governança, compliance, rentabilização do produto e negociação de direitos de transmissão, entre outros. No próximo encontro, estão agendadas apresentações de empresas como a Ernst & Young e CVC.

Os clubes assinaram uma carta de intenções para a criação da Liga e será montado um grupo para elaborar o estatuto. Há previsão de que em 90 dias ocorra um novo encontro para tratar da fundação especificamente — nesse meio tempo, a CBF deverá ter um novo presidente, se Caboclo for afastado definitivamente, o que poderá influenciar em todo o processo.

Nas primeiras discussões ficou definido que o número de participantes se manterá em 20 por divisão, com acesso e rebaixamento, algo fundamental para que a Liga seja aceita por entidades como Conmebol e Fifa e os clubes possam participar da Libertadores e do Mundial.

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