A seleção brasileira ficou com o vice-campeonato da Copa América ao perder a decisão para a Argentina na noite de sábado (10), que acabou em festa dos torcedores argentinos nas ruas de Buenos Aires com o fim do jejum de títulos do país e de Lionel Messi com a camisa alviceleste, enquanto no Brasil a mobilização pelo time de Tite foi bem menor, até com brasileiros que torceram pela conquista do camisa 10 argentino.

No podcast Posse de Bola #142, os jornalistas Arnaldo Ribeiro, Eduardo Tironi, Juca Kfouri e Mauro Cezar Pereira analisam o distanciamento do torcedor pela seleção brasileira e os fatores que levam a isso enquanto os argentinos e mesmo os torcedores de Inglaterra e Itália se mobilizaram mais por suas seleções na Eurocopa.

Para Juca Kfouri, tem a ver a maneira do torcedor brasileiro, de se aproximar mais quando a seleção está em alta, considerando também para a forma em geral que se acompanha esporte no país, citando o caso da Fórmula 1, além de pontuar que no Brasil nunca houve grandes comemorações devido a uma Copa América, como ocorreu com os argentinos e nem haveria em caso de mais um título brasileiro no último fim de semana.

“O que eu tenho desde sempre na minha vida em relação à seleção brasileira é que o torcedor da seleção gosta muito dela quando ela vai bem e a odeia quando ela vai mal. Na verdade, o torcedor brasileiro gosta muito de ganhar, em qualquer esporte, e quando não está ganhando, se desliga. Veja a Fórmula 1, por exemplo, houve momentos em que o Brasil parecia o país da Fórmula 1, porque teve Fittipaldi, Piquet, Senna, depois, quando entrou na fase de Rubinho, mesmo sendo vice-campeão e tal, as coisas foram esfriando”, diz Juca.

“O torcedor brasileiro, por exemplo, jamais comemorou Copa América. Impensável que acontecesse no Rio de Janeiro, em São Paulo, nas grandes cidades brasileiras, o que se viu na madrugada de sábado para domingo em Buenos Aires. Impensável. Nunca o torcedor brasileiro deu, o torcedor brasileiro sempre deu atenção à Copa do Mundo, aí sim. Mas mesmo a Copa do Mundo, só aqueles que são de fato torcedores”, completa.

Juca cita as pesquisas que apontam a maioria da população brasileira dizendo não ligar para futebol, acima das torcidas de Flamengo e Corinthians, enquanto na Argentina as torcidas de Boca Juniors e River Plate superam os que não acompanham o esporte. Além disso, vê o distanciamento do torcedor devido à seleção formada em sua maioria por jogadores que atuam no exterior e não nos clubes brasileiros, o uso político da camisa da seleção e a própria relação com Neymar, principal jogador da geração atual.

“Esta seleção então mais ainda, essas seleções dos últimos anos, a partir da globalização, quando o torcedor brasileiro perdeu os seus vínculos com os jogadores, você não discute mais convocação, porque não é mais a briga entre o centroavante do Vasco e o do Flamengo, o zagueiro do Corinthians e do Palmeiras, o goleiro do São Paulo ou do Cruzeiro, não, é o goleiro do Manchester United ou do Bayern de Munique ou do Liverpool, é o centroavante da Inter ou do Manchester City, enfim, está tudo muito distante, então o torcedor perde o vínculo”, diz Juca.

“Colaborou para isso, é claro, a imagem de corrupção da CBF, mais recentemente a politização da camisa da seleção brasileira, que foi identificada com uma ala odienta do povo brasileiro, tem a ver com isso a antipatia que muitos sentem cada vez mais pelo maior ídolo ou pelo melhor jogador da seleção brasileira, que é o Neymar, que até quando chora numa derrota você não acredita na sinceridade do choro, até porque cinco minutos depois ele está às gargalhadas com o amigo Lionel Messi, que foi uma atitude bonita, muito bonita a relação dos dois, e depois estarem juntos, mas para um cara que parecia que tinha perdido a mãe 5 minutos antes, 5 minutos depois do velório estava ali se abraçando com os convivas? Nada dele é convincente. Então isso tudo afasta de fato o torcedor da seleção, acho inevitável”, conclui.

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